quarta-feira, 30 de junho de 2010

UNICAS APRESENTAÇÕES!



10 à 31 de Julho às 16h.
Teatro VIVO.
Av. Chucri Zaidan, 860 Morumbi.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Aviso da Lua que menstrua

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

De Elisa Lucinda

Cada um no seu quadrado. LONGE DO MEU DE PREFERENCIA.

E daí se o espeço é pequeno e não tenho como me mexer.
Uma vez aprendi que cada temos, assim como na musica, um quadrado. E cada um ocupamos o nosso quadrado da nossa forma, alguns pouco espaço, alguns metade, e poucos ocupam o quadrado inteiro. Aprendi que ás vezes ao dizer o que pensamos ocupamos todo o nosso quadrado, e que em outras ocasiões ocupamos o quadrado vizinho.
Hoje, estou encolhida no meu quadrado. Pedindo socorro de qualquer lugar. Alguém que saiba me dizer do que vale tudo isso, do que vale tanta espera, tanto, sufoco. Será que vale pena todo esse preparo em vão.
E e se eu estou fazendo algo errado me diga por favor. Por que eu estou tentando me acertar com o meu redor, mas quanto mais eu tento concertar e entender, mais me afasto das pessoas das coisas e do entendimento.
E esse quadrado vai ficando cada vez maior ao meu redor. Eu fico construindo pessoas, ambientes simpáticos, quando penso que no fim está tudo bem, algum detalhe me escapa do controle, e o céu azul que existia no meu quadrado se transforma em uma tempestade.

Vou continuar esperando Naquele que me fortalece, Ele fortalece de verdade, é a única certeza que tenho agora.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

BIZUNGA



Porque eu fui uma menina com uma flor, e estou esperando você voltar, mesmo sabendo que não está voltando pra mim, e estou aqui nesse quarto pensando que talvez seja melhor dormi aqui, sozinha, desse outro jeito que não é mais o jeito de nós dois.
Porque eu fui uma menina com uma flor, e você o meu saudoso Vinicius, que me compunha cantigas, me fazia rir, chorar, sofre, morrer e ressuscitar no instante seguinte me desmanchando em tantos suspiros fortes, quentes que liquidava todo acontecimento em qualquer espaço, que não fosse aquele onde você era eu e eu era só você e mais nada. Depois nos suicidávamos mais um pouco, pra terminar a seqüência de pecados carnais. Aquele quarto, onde está tudo do mesmo jeito, as mesma fotos, os mesmo móveis com os mesmos livros, o mesmo cheiro de duas carnes e o peixe. Você fala mal de mim pra ele, mas ele não liga, porque é muito meu chapa, e fui eu que o comprei.
E porque eu fui uma menina com uma flor, e corria de madrugada pra te ver, só porque você gemeu mais baixo, e você canta tão desafinado que ninguém mais tenta concertar, e fica todo mundo rindo, porque você é engraçado mesmo sem querer ser.
Porque eu fui(sou) uma menina com uma flor, e daria tudo para poder estar aí, e essa distanciam já existia antes de você partir. Porque sem você, não sei nem chorar, sou chama sem luz, jardim sem luar, e porque sem você, meu bem, eu (não)sou alguém.

Eu sei que muitas pessoas já se espessaram sobre isso, mas esse blog é meu e como já disse posso repetir o que quiser. Rs. E por mais que eu use palavras parecidas quero falar sobre o teatro.
Com o grupo de dança que faço parte, fizemos algumas modificações nosso local de trabalho, e montamos uma caixa-preta.
Conversando com uma colega, começamos a dizer as coisas que podem acontecer dentro de um palco. O palco é sagrado.
Dentro dessa caixa preta mágica, podem-se construir galáxias, mil mundos indescobertos, podemos ser um, dois, três, quatro cinco pessoa, pode-se matar, morrer, ressuscitar, nascer, podemos amar, “amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar sempre, e até de olhos vidrados, amar”. Podemos voltar a qualquer tempo, ir e voltar no tempo, na vida. Hoje, dentro dessa caixa, pode-se falar de qualquer coisa, de qualquer forma, sobre qualquer pessoa, em qualquer lugar. Isso não quer dizer só acontecem manifestações boas dentro dessa caixa, pois infelizmente, ou felizmente, nem todos sabem lidar com essa liberdade.
Sinto-me feliz, por descobrir essa “coisa de teatro”. Antes que tudo em mim acabe, quero poder muitas coisa, no maior numero de palcos possível, tudo com respeito suficiente, para também ser respeitada. Quero ser linda, feia, boa, “boua”, mãe, amante, monstro, bicho, riso, choro, nada, quero ser dançante, quero ser íntima ao publico.
Não sei o dia de amanhã, mas hoje quero ser desse jeito até o ultimo suspiro.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

.15 DE JUNHO DE 2010. Copa do Mundo da Africa - Brasil x Coréia do Norte

Esse foi o primeiro jogo do Brasil na Copa de 2010. E assim como em todas as copas, todo mundo se preparou para assistir os jogos. Esse primeiro jogo aconteceria as 15:30h, e todos trabalhariam meio período.
Eu tenho 19 anos e faço curso técnico de segunda a sexta-feira, das 9 às 13hs. E nessa terça-feira como em todas as outras, peguei o meu ônibus no Terminal Bandeira rumo ao Terminal Campo Limpo.
Já no no Terminal Bandeira o ônibus lotou, sentei em um “chiqueirinho”, um espaço entre dois bancos, ele partiu exatamente as 13:45hs, nos primeiros 500 metros de viajem já nos deparamos com um transito fora do normal de carros, coletivos públicos, motos. Pensei que não duraria muito pois logo entraríamos no corredor de ônibus. Mas por uma coisa eu não esperava, a quantidade de pessoas que iriam para o mesmo lugar que eu. A minha primeira idéia era dormir e fingir que não estava tudo bem, meu plano era chegar em casa e ver o jogo do começo ao fim. Mas esteva impossível pregar os olhos, no primeiro ponto depois do túnel da 9 de julho, cerca de 25 pessoas se aglomeraram na porta tentando entrar no ônibus que já estava cheio. As portas são automáticas, o ônibus só anda quando as portas estão fechadas, e ninguém saía das portas, as duas pontas do ônibus vazias, frente e fundo, e na porta, uma verdadeira guerra para ver quem entrava ou não. Eu observando tudo isso aflita, pois tinha pressa mas me divertindo em ver toda aquela confusão de fora, descobri que mesmo os homens sendo maiores e mais fortes, eles estavam sendo massacrados pela mulherada apressada, elas eram muito mais dinâmicas, se enfiavam em qualquer buraco, enquanto os homens ficavam esperando uma boa hora de entrar no ônibus, fiquei um pouco penalizada, quando no fim de 20 minutos o ônibus partiu e deixou para trás vários homens com fisionomias cansadas, e loucos para chegar em casa e ver o tão esperado jogo.
E foi assim nos outros três pontos da 9 de julho depois do túnel. A mesma novela, abarrotada de pessoas. Parecia que tudo ia explodir, os vidros, as portas, entendi por que existem outros coletivos, estragados, nunca entendia como se podia quebrar as portas, mas nesse sia entendi muita coisa. Nunca tinha visto tanta gente enfiada no mesmo lugar. Pela manhã em minha aula, aprendi sobre o espaço vital necessário entre as pessoas, era totalmente diferente da realidade que eu estava vivendo naquele ônibus. E ao nosso redor carros de luxo equipados com ar condicionado, e com apenas um passageiro, números taxi cistas irritados, motoqueiros que pareciam baratas tontas com sua buzinas infernais, e os camelos com suas perucas verdes e amarelas, cornetas, passeando por entres as filas de carros. E ao redor de tudo isso, Prédios e mais prédios, com infinitas janelas, em algumas tinha uma singela bandeira do Brasil ou alguém assistindo o apocalipse de carros com uma camiseta da seleção.
14:55, estávamos preso na saída da 9 de julho para a Cidade jardins. Um transito que eu realmente nunca tinha visto, parecia mesmo fim do mundo, só que verde e amarelo.
Tentei fechar os olhos, mas não dava, a angustia era maior. Existem umas figuras estranhas e distintas, nos ônibus que parece sugar a nossa energia do outro e tudo vira uma coisa só. Tinha na minha frente uma mulher vaidosa, loura que atravancava os corredores e era chata igual uma colega minha de trabalho. Ficava comentando tudo comigo e eu com uma cara de pão amassado.
Mas a coisa mais interessante de se assistir em um ônibus lotado, é uma briga. Como se já não bastasse os dois individuas que discutem, aparecem duas torcidas que acabam se dividindo, e formando pequenos atritos em todo ônibus.
Dependendo do dia, mês ou semana, parece que está todo mundo com o mesmo animo, ou todos falantes e tagarelo, ou todos sonolentos, e desanimados.
Nessa minha viajem o que tínhamos em comum era a espectativa de ver o jogo.
Quando finalmente chegamos na Av. Francisco Morato, entrou uma passageira que foi até o final da viajem perturbando o coitado do motorista, com fazer idiotas, e foi ela que dividiu as torcidas, enquanto alguns riam dos gritos, e ofensas que ela derramava para o motorista, outros se incomodavam com a vulgaridade da moça.
Finalmente depois de 25km em 2 horas e meia. Chegamos ao terminal, eu precisei pegar outra condução. Fiquei um tempo e uma fila, e assim como o primeiro ônibus, a lotação, deu jus ao nome e lotou, enquanto o magrelo do cobrador pedia aos passageiros para que “dessem mais um passinho”. Não deu certo, como o veiculo era menos, as pessoas se uniram e começaram a gritar e a bater em todas as partes no veiculo, manifestando para que o motorista partisse. No meio dessas pessoas tinha um grupo de amigos todos caracterizados, com perucas, toucas e cabelos pintados de verde e amarelo. Enquanto um tinha uma corneta o outro tinha uma buzina de bicicleta que mais parecia a de um caminhão. E eu no meio de tudo isso louca quase.
O motorista partiu, foi até o final sem soltar ninguém, um dos passageiros soltou a vinheta “mora todo mundo no mesmo lugar?” o outro respondeu, “é todo mundo periferia. Bobeira. Mas no fim desceu todos no mesmo lugar. Enquanto eu caminhava até chegar em casa, observava as pessoas nas ruas assistindo ao jogo, nos bares todos vidrados, as crianças corriam com os barulhinhos na boca. Tinha até o atrasado que pintava a rua de verde amarelo. As coisas estavam todas no mesmo lugar, os traficantes, o lixo nas guias, as crianças magrelas e descalças, as ruas esburacadas, os bêbados, (até os “bufões” estavam de verde e amarelo),tudo da mesma forma, o que colocava alegria para camuflar a tristeza do cotidiano era a Copa do mundo, e o futebol da nossa seleção. Por um instante aquela hipocrisia coletiva me comoveu.
Poucos minutos antes de eu chegar em casa, estava subindo um escadão, que tinha um vista panorâmica, e quando estava na metade do escadão o Brasil fez o primeiro gol, eu tive o privilégio de assistir famílias e famílias vibrando energicamente, por uma coisas que acontecia do outro lado do atlântico, fiquei muito emocionada. Pois é, ninguém escapa, por mais duro que seja o coração, ver um menininho correndo e gritando “gooooool”, foi lindo, eu não precisava assistir mais nada, aquela viajem por entre sentimentos humanos já me deixava satisfeita.
Quando cheguei no topo do escadão, e dei a ultima olhada pra traz, pensei que não era só aquele bairro que torcia em frente a uma televisão pela seleção brasileira, mas sim cerca de 190 milhões de brasileiros, distribuídos, por 26 estados.
Cheguei em casa as 16:45h. Não quis assistir o fim do jogo.




*FOTOS:1.Passageiro Av. Paulista, Patricia Araújo. 2.Estação Sé do Metrô, André Vicente. 3. Torcedores Anhangabaú, Daniel Marenco

segunda-feira, 14 de junho de 2010

“Conheceram-se. Ele a conheceu e a si próprio, pois na verdade jamais soubera quem fosse. E ela o conheceu e a si própria, pois, mesmo já se conhecendo, nunca pudera se conhecer assim.”

-ITALO CALVINO - O Barão nas Arvores-