segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Hora Íntima


Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal...
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançara um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?

Rio, 1950

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As Duas Flores





São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.


Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.


Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.


Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!



Livro: Espumas Flutuantes

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=260#ixzz0wQlY7FS1
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives


-Gozado meu amor, pois te olhando aqui do alto você me parece tão pálido, como se estivesse sem vida, como uma bela estátua grega com todos seus detalhes humanos que nada vale sem alma, calor.
-Estranho, assim também te vejo aqui de baixo. Branca a distância e a saudade prematura que está matando esse momento colorido de amor que tivemos juntos, a distância morta e fria toma lugar da graça que tivemos a pouco, mas eu corro pra não te esquecer. Nunca.

"Todo mundo tem uma boa história pra contar."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Coisas #1


Essa vida é uma loucura mesmo. Não estou conseguindo administrar esse pensar, esse andar, esse curtir. Mil coisas que entendo durante o dia me perseguem durante a noite, é legal assim também. Tem alguém me perturbando, e tenho certeza que É eu.
É a cana que se corta, e a flecha que se lança e nem alcança o lugar que eu queria, queria, pois no instante seguinte deixei de querer, já dizia aquela musica chata.
Lanço-me no pélagos da solidão a cada segundo, me arrependo e volto, Mergulho nesse mar e me redimo das coisas que me ataranto.
Aquele amor deixou-me ir, difícil essa liberdade, difícil me encontrar nesse mar vasto e profundo. Nem sei meu lugar, e entre mascaras e escatologias humanas, descubro mais uma coisa, descubro que mesmo sendo muito pensador esse povo mundial, fisicamente, é tudo do mesmo jeito, a violência habita em todos, em alguns quieta, em outros gritante, o medo persegue a todos, alguns na calada da noite, outros em plena Paulistas ao meio-dia.
Todos sentem essa sede sexual, essa fome humana. Mas alguns pensam em santos, outros em carne, outros em contas, outros em palcos, outros em latas, outros em cavalos, outros em noticias, todos, digo, todos, sem deixar de pensar. E afinal, o que me faz diferente de quem? O que torna meu amor maior ou menor do que o de qualquer fulano?
Ao mesmo tempo, sinto que preciso de uma alto-suficiência.
Acho que vou menstruar.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso

Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços
Eu bem queria fazer...

Travesseiro dos meus braços
Só não faz se quiser
Um travesseiro dos meus braços
Só não faz se não quiser...

Sustenta palavra de homem
Que eu mantenho a de mulher
Sustenta a palavra de homem...
Que eu mantenho a de mulher


PS:Em breve, Núcleo Pélagos com o espetáculo "Volúpia".

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Coisas#

Pessoal!

Estou atolada de taréfas a serem cumpridas. Não estou conseguindo dar a devida atenção ao meu blog. Estou louca pela vida, apaixonada por descobertas, e pronta para cair de um precipício(caio a cada minuto).
Por isso venho pedir paciência, e que vocês assistam o espetáculo no qual estou participando, BLECAUTE! (mais informações, postagem anterior.)

Beijos

Leila Rosa